O vínculo invisível entre cavalos selvagens transcende tempos e eras.

Evoluindo

Quantos caminhos

Antes de tudo, vale sensibilizar quem abriu este separador, que não é requisito da rede entender, falar ou concordar sobre a linguagem quântica ou vibracional. O nosso denominador comum é outro. Verificamos, no entanto, que também esta área sofre do fenómeno “o rei vai nu”. Muitos são os que cruzam olhares no percurso do desenvolvimento espiritual, sendo que nem todos o revelam no dia-a-dia. Pelo que, também neste sector, retiramos uns elefantes da sala. Possamos olhar-nos, cada vez mais, olhos nos olhos.

Nesta secção é trazida uma leitura, no âmbito da ciência espiritual ou vibracional, acerca da realidade, da sociedade, do que contribui para os seus caminhos acidentados e do que pode entender-se por expansão ou elevação da consciência. Tal como noutras matérias, também aqui não se pretende convencer ninguém ou fazer adeptos, preservando intacta a liberdade, o pensamento autónomo. Nomeadamente daqueles que estão integrados na Rede Suporte pois, como dito acima, não contamos que estejam todos sintonizados nesta estação. Mesmo os que estão, escutam eventualmente músicas ligeiramente diferentes, dentro do espectro de visões espirituais existentes.

Esta área do desenvolvimento, para quem a quiser mergulhar, requer ser conquistada passo a passo, num gosto contínuo pela aprendizagem, pedindo conhecimentos e acima de tudo, práticas. A sabedoria, aquela que não vem nos livros mas no exercício da escuta interior, é fundamental. De mão dada com a auto-observação. Ferramentas terapêuticas de auto-conhecimento e descoberta são importantes no processo, podendo algumas ser assistidas. A informação destes textos não substitui, de maneira alguma, o progressivo caminho de entendimento. Pode mesmo parecer confusa para alguns. Aqueles que sentirem um apelo, encontrarão o meio de aprofundar saberes e experiência.

É natural que encontremos imperfeições nos seguintes apanhados. Estas surgem da tentativa de condensar uma estrada enorme e transcendente numa ponte de atalho. Chega a ser arriscado fazê-lo.

Alguns outros conteúdos, noutras secções, estão reservados a membros da rede, por este motivo. Optamos por respeitar minimamente os ritmos ou processos de assimilação, de integração, perante uma população diversa, dispensando saltos precoces e potenciais interpretações equivocadas.

Prosseguimos, agora, introduzindo o tema da ressonância nas massas e desenvolvemos, depois, escolhendo como fio condutor o sistema de chakras – vórtices de energia. Existem outros sistemas paralelos como referência, os quais vivem em coerência com este. São linguagens que, apesar das diferenças, acabam por constituir apenas fórmulas irmãs para organizar e entender uma informação comum e Una.

Quando se enterra uma semente

A mente faz uma revisão à sua estabilidade quando contacta com exemplos. Nesta dinâmica existe um potencial enorme para que ressoe com o que está mais próximo e tem densidade de luz maior. Uma elite altamente consciente pode impactar multidões nesta osmose.

Tal tem sido confirmado por vários estudos acerca do assunto. Os quais incluem experiências com amostras de meditadores, em vários locais. Verificaram-se, por exemplo, diminuições no índice de criminalidade, quando não decorreram outras medidas paralelas às meditações condensadas nessas áreas geográficas. A mente mestra unificada, a egrégora, é capaz de arrastar o inconsciente colectivo, agindo em planos quânticos. Não importa o que a maioria faz mas o que os expoentes fazem. As mudanças sociais acontecem a partir de movimentos de poucos indivíduos. Seja para o positivo ou para o negativo. Vale lembrar que uma maioria da sociedade vive de acordo com certos valores arquetípicos, os originais, universais, também reforçados por uns poucos profetas que contribuem para a afinação de oceanos humanos, até hoje. Mesmo perante ataques, as ressurreições aconteceram.

Não obstante, a influência decisiva é anónima e acontece se for desapegada do resultado. Ou seja, quando não se vive à espera que os outros ou o mundo mudem. O grande serviço é feito por toda a malha anónima que apenas inspira por aquilo que é, pelo que brota de dentro. Com isso sustenta, sensibiliza, contagia, edificando.

Como é que isto decorre? As frequências vibratórias correspondentes a estados elevados já fazem parte do espectro energético com que a nossa espécie vem equipada. Acontece que em muitos casos ou situações, certas frequências estão adormecidas ou bloqueadas, precisando ser activadas. O que pode acontecer pela interacção com outros seres que emitem essas ondas de forma mais consistente e amplificada, possibilitando o efeito de ressonância. Este não passa do reconhecimento e retorno de uma frequência que existe naturalmente no “objecto” que ecoa e que, perante o estímulo externo, co-responde com uma reprodução amplificada. Estes processos são facilmente percebidos no comportamento dos sons.

A pessoa que se deixa seduzir por um estímulo de vulgaridade torna-se escrava a partir daí, abre mão da liberdade. Porém, cada vez que a obscuridade pratica a doutrinação e sequestra, numa tentativa de contrabalançar a expansão da luz, há renascimentos. Quanto mais a claridade é agredida, mais reage e floresce, com exemplos salvíficos. O problema é quando as coisas parecem mornas, quando nenhum lado pende ou aparece mas a densidade age permanente e discretamente. Por sua vez, se houver manifesta deslocação num prato da balança, o outro começa a energizar fortemente porque a psique humana precisa manter o equilíbrio.

Quanto maior o desafio, maior o crescimento. A perturbação gera movimentação e a informação antes despercebida, esvoaça diante dos olhos, chamando a atenção dos que estão preparados para receber aquilo que vem com verdade. Aliás, só quando se verifica esta preparação, quando há capacidade do tecido para sustentar, é que as crises ou embates acontecem.

A regeneração vem dos lugares mais inesperados. Quando um polo denso está a ganhar palco, paralelamente há um outro que está a fazer a limpeza, nos bastidores. Ele age incógnito, porque a elevação não necessita chamar a atenção. Embora possa precisar, estrategicamente, que alguns expoentes de virtude assumam mais visibilidade, representando alvos de distracção e de ataques, enquanto a infantaria passa e actua imperceptivelmente. Tais iscos precisam estar dotados de estrutura para conseguirem ser tanques. Desta perspectiva, a luz também age de forma oculta.

Se considerarmos que tudo vem de uma unidade absoluta, o que chamamos bem e mal são apenas duas faces de uma mesma moeda – a jornada necessária à evolução máxima. A consciência não trabalha sem a escuridão, que a serve.

Na perpetuação dos altos e baixos, a Inteligência Cósmica Suprema é atemporal e persiste. Não precisamos preocupar-nos, sofrer de ansiedade. Ela desbrava organicamente, reflectindo referenciais ou arquétipos que não desaparecem. Os grandes legados vinculados à essência, as coordenadas ancestrais e nucleares do que é humano, continuam a ressoar nas profundezas do colectivo. O trabalho superior, o serviço elevado, manifesta-se subtilmente em planos menos evidentes, suportado pela eternidade inabalável.

Sugestão de visualização:

Uma reunião da tribo

Muladhara - 1º chakra

Associado ao elemento terra, este centro vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como solidez, consistência, sustento. Como as fundações da casa que somos, traz a correspondente fixação ou rigidez necessária. Preservando a vitalidade como energia de vida, este chakra funciona como a raiz onde os restantes recarregam. Ele é a nossa bateria que permite a sobrevivência, trazendo o chão e o pilar que suportam o crescimento, as construções. Os instintos fortes e primários também moram nele, como as respostas adequadas às necessidades vitais – alimentação, sono, por exemplo. Por vezes descuradas e debilitantes, se não houver um enraizamento equilibrado.

A estrutura emocional correspondente é simples, baseada em regras e, por vezes, aparentemente robótica. No seu registo característico, é mais confortável respeitar ordens do que ter iniciativa ou seguir uma actividade espontânea.

Pessoas com uma predominância desarmoniosa de Muladhara tendem a manter o estado do sistema, zelam muito pelas leis e habitualmente rejeitam ideias de mudança ou transformação, desde que a vida esteja confortável e não se vislumbre ameaça de escassez. Há uma maior tendência para rigidez, inércia, portanto. A atitude é de sobrevivência e estado de alerta. Geralmente, se a energia está desproporcionalmente activada, vem sob controlo inconsciente, em relação com medos primários e reacções do cérebro primitivo: luta, fuga, paralisação ou ainda, tentativa de agrado para evitar confronto. Em desespero, pode explodir um ataque. Também é característica a preocupação com o físico e material, o evitamento da intensidade emocional-mental e da lesão corporal. Ansiedade e stress instalam-se facilmente, num cenário destes. Ameaças do exterior são preocupantes e, ao mesmo tempo, a responsabilidade pessoal também, pois chama transformação. Numa fuga, quem vive muito nesta camada, aponta geralmente a fonte dos problemas para os outros e tenta transformar estes em vez de si. Todas estas vibrações são, portanto, mais densas.

Que implicações sociais advêm de um excesso de muladhara?

Sociedades primitivas preocupadas com caça e sobrevivência, ou seja, lei da selva. Hoje em dia, as sociedades que espelham este nível de vibração são aquelas onde a lei e a ordem são impostas excessivamente, rigidamente seguidas. O mundo característico é dominado pelo materialismo. Nele, o interesse principal é sobreviver. Medo e terrorismo são os temas frequentes das notícias. A paranoia de muladhara, quando não harmonizado com os restantes centros energéticos, manifesta-se num pavor exagerado de germes, micróbios, doenças infecciosas, com respectivas medidas de “segurança” a atingir dimensões despropositadas em alguns casos.

O consumismo é outra tendência característica de muladhara não integrado, revelador dos níveis de consciência das massas dominadas por este impulso. Numa civilização com um nível superior predominante (maioria dos membros, portanto) as aspirações estão relacionadas com aspectos de vida mais elevados do que a sobrevivência básica. Não há uma obsessão com leis e imposições porque, de modo geral, os indivíduos ressoam naturalmente com valores e princípios, governando-se intrinsecamente. Numa sociedade mais muladhara, as leis tornam-se rígidas, abusivas e um foco para a população, sendo maioritariamente consideradas questões como segurança, sobrevivência, recursos energéticos, recursos alimentares, segurança do ambiente físico e controle da natureza para poder torná-la segura.

Padrões mentais, rotinas, favorecem a hipnose e adormecem a vigília. A tentativa de eliminar surpresas e tornar tudo previsível, seguro, controlado, aumenta a qualidade material da vida mas retira o significado desta. Desaparece o dinamismo, o fogo de viver, instala-se o isolamento, a alienação. Na Escandinávia temos um exemplo disso, onde existe um nível material garantido, fácil e ao mesmo tempo uma elevada taxa de suicídios.

Estes últimos parágrafos dizem respeito a activações desarmoniosas, que são comuns no mundo actual. Porém, é conveniente lembrar que não há chakras melhores ou piores, se estiverem equilibrados entre si. Todos têm um papel e são imprescindíveis para se atingir a harmonia da totalidade, nos moldes descritos no primeiro parágrafo.

Swadhisthana - 2º chakra

Associado ao elemento água, este centro vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como o princípio do prazer, as sensações, a sexualidade, a preservação da espécie. Swadhisthana traz também a fluidez, a espontaneidade, flexibilidade, a par com o estabelecimento de conexões, ligações, similaridades. Estes aspectos vêm acompanhados da consciência do outro e da tendência para incluir-se em grupos.

Quando a energia deste chakra se encontra activada a um grau que o nível de consciência não está preparado para abraçar, então as tentações e sensações ganham demasiada relevância, apoderando-se do indivíduo. O prazer chega a anular instintos de sobrevivência, como sede ou fome. Se houver equilíbrio, prazer e conservação são complementares, levando um ao outro.

Nas ressonâncias deste centro energético, o desejo de fusão com o mundo, com cada aspecto da vida, é suportado pelo prazer dos sentidos e liga com comportamentos de perpetuação ou sobrevivência das espécies. Na mesma linha, vive o princípio da polaridade e respectiva complementaridade dos polos universais. Todos os princípios e leis do universo emergem de pares de polos. A dualidade é uma constante e é neste nível de vibração que percebemos isso.

O prazer é o primeiro impulso que nos leva à exploração. Ele dissipa o medo do desconhecido e deriva em ímpeto criativo. Porém, se vier em desequilíbrio, pode tomar posse de nós. Seja por excesso ou por o evitarmos. No primeiro caso, se descontroladamente atraídos para uma acção aprazível, podemos ficar agitados e confusos. Isto acontece quando o prazer é a motivação principal. Ou se a opinião dos outros sobre nós tiver maior peso que a nossa porque, acima de tudo, queremos fundir-nos. Neste registo superficial, os momentos gerados pelos fortes desejos que nos impulsionam, rapidamente desvanecem.

Que implicações sociais advêm de um excesso de swadhisthana?

As energias swadhisthana estão relacionadas com integração social, o que pode manifestar-se em formas inferiores de modas, convenções sociais, estatutos, fama, política. Se estivermos harmonizados ao nível do segundo chakra, o encaixe social também o estará, encontraremos ligação entre a vida pessoal e as aspirações sociais, sendo independentes de imposições ou influências desintegradas.

O efeito das massas ou multidões ocorre quando há uma activação forte ou desarmoniosa neste nível. Nesses casos, a opinião alheia conta muito, havendo tendência para confiar mais no que dizem os outros, do que nas próprias experiências ou discernimento. O que vem nos jornais ou na TV é mais importante do que a síntese pessoal de tudo o que se vivencia. Num cenário destes, se o nível de consciência da população está preso a swadhisthana, a manipulação de massas tem o caminho aberto. As pessoas são capazes de anular aspirações, negar uma percepção sua ou prática pessoal se a sociedade opinar numa corrente contrária. Tal como podem preocupar-se demasiado com a sua imagem ou com o que outros pensam de si. Tudo porque a necessidade de agrupamento está descompensada.

O desnivelamento deste vórtice gera uma vulnerabilidade face a tentações, resvalando para uma vida de satisfações supérfluas desviantes, que facilmente ligam com as questões grupais. A sexualidade pode ser igualmente afectada, manifestando-se em comportamentos inconscientes, descontrolados, vazios e viciados.

O mimetismo social, a tendência de copiar os outros para ser aceite gera: ilusões colectivas; cegueira e cooperação com algumas situações que, de outro modo, seriam inaceitáveis; ataques a minorias pacíficas por maiorias inquietas; invasões armadas, por bens materiais, vestidas de princípios humanitários. A imaginação criativa, se inconsciente, mantém um povo em alienação robótica. Mesmo aquilo a que chamam revoluções, muitas vezes são apenas acções miméticas de indivíduos que juntam-se a multidões manipuladas por uns poucos que sabem articular este nível de consciência. Quem souber auto-regular as energias específicas do seu segundo chakra, estará menos propenso a influências que o transformem em marioneta, conseguindo unir o interior com o exterior em boas relações recíprocas.

Manipura - 3º chakra

Associado ao elemento fogo, este centro vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como: consciência de separação, individualidade, diferença, auto-afirmação. Sucedendo o desejo por ligações, que vinha com o centro anterior. Aqui começa a personalidade a ganhar contornos, os princípios e ideias começam a consolidar-se e a conduzir acções. O mundo dos instintos é menos evidente. A possibilidade de ser livre pede ideais ou convicções, moralidade, virtude, indo além da libertinagem ou vida desregrada que rapidamente acaba por gerar condicionantes, ou seja, prisões. O que se deseje deve assentar em amor e não entrar em conflicto com o bem-estar dos outros. Ou seja, a este nível brotam os códigos de conduta, regras ou limites, associados à ética. Quem tem estas energias fortemente activadas, segue princípios na vida e não apenas o que dá prazer ou conforto.

As energias de fogo trazem a capacidade de adaptação, porque geram assimilação, processamento daquilo que nos chega, digestão física e mental. Estes processos incluem a transformação da matéria em energia. A qual pode ser, ainda, alquimizada ou refinada por sublimação, em frequências mais elevadas. Desta forma, ao nível manipura manifestam-se, também, qualidades de transformação, dinamismo ou desejo de acção, regeneração. Mortes, queimas, possibilitam renascimento. Estas ressonâncias trazem atitude, carisma, impacto, expansividade, manifestação de poder, inteligência simplificadora/prática para lidar com várias situações, paixão, espírito de liberdade, auto-disciplina, força da vontade, confiança em direcção a objectivos, criação de propósitos de vida, ímpeto, foco.

Como foi referido na abordagem ao primeiro chakra, quando aumenta a tentativa de dominar a natureza, de evitar a imprevisibilidade, desaparece o dinamismo, o fogo de viver, instala-se o isolamento, a alienação. Um sistema onde queremos eliminar surpresas, fecha-nos ao nível de manipura, tornando-nos mais fáceis de manipular.

É também nesta banda energética que se encontra o ego, tal como a mente inferior ligada a julgamentos de valor e à razão. A este nível torna-se possível, a partir de ligações, extrair uma fórmula e concretizar planos, com disciplina para viver as várias partes do processo e chegar à meta sem ser desviado por tentações. Tal obstinação traz também o espírito de competição, aspiração pela perfeição e capacidades de liderança.

Algumas pessoas, activadas desarmoniosamente, perdem-se no poder que alcançam e podem querer submeter outros à sua vontade, de forma egóica ou egoísta, tornando-se intransigentes. A alucinação do poder traz a opressão e os crimes.

Especificando o tema do ego, que é o falso sentido de si mesmo, pode dizer-se que tal distorção vem de processos de identificação com algo, nomeadamente com um corpo, emoções, pensamentos, estatutos, profissões, qualidades, lacunas, capacidades. Nasce uma persona, uma auto-imagem, projecções, impressões, crenças sobre nós, que dissimulam a verdadeira natureza do ser ou o que realmente somos. Sendo algo sem uma existência real, o ego é frágil, inseguro e cai na necessidade de proteger-se, validar-se, reassegurar, reagir, separar ou encontrar diferenças para se distinguir. Este deseja continuidade, segurança, certezas. Só que estas fertilizam a inconsciência ou o adormecimento. Quem transcende o ego está relaxado, não tem necessidade de provar porque já é em si mesmo.

A auto-confiança e auto-estima são influentes na dinâmica manipura. Confiar em nós implica saber quem somos verdadeiramente, conhecendo-nos. Se nos identificarmos com corpos e mentes ou resultados de acções, trocamos confiança intrínseca por auto-confirmação. Quando atendemos à necessidade de nos certificarmos da nossa existência e identidade através de feitos e efeitos. Porém, a real auto-confiança é a que transcende o exterior, não depende nem vacila com este.

Sentimentos de conquista e elogios aos nossos sucessos, afagam a segurança no poder pessoal. A identidade mais superficial gosta destas confirmações externas, no entanto, se fica sujeita, apegada, torna-se volátil. O supremo Eu não precisa de confirmação mas chegar a este implica auto-descoberta. Em manipura brota o vislumbre do que realmente somos, assim como o respeito pelas próprias necessidades. Quando há desarmonia, o foco exclusivo nos desejos individuais alimenta uma auto-importância demasiada.

Que implicações sociais advêm de um excesso de manipura?

O poder, se o virmos como a energia que é direccionada a um propósito, revela-se ao nível do 3º chakra. Esta força gera um encantamento sobre o Homem, que pode perder-se numa origem enganadora e ficar preso. O poder amplifica tanto ressonâncias benéficas e elevadas como as nefastas. Por esse motivo, a sociedade convencional tem procurado eliminar tudo o que é inconveniente, através do desempoderamento dos indivíduos, evitando amplificações. Para ser garantida a quietude, é subnutrido o auto-domínio e, assim, muito permanece escondido. Porém, se estivermos a falar de aspectos inferiores ou ressonâncias negativas, por exemplo, estas vão exteriorizar-se mais tarde ou mais cedo, perante gatilhos, sem que compreendamos a causa. Os efeitos de manifestações desfavoráveis de poder não deveriam ser evitados por restrição ou adormecimento do mesmo mas por afinação das extensões.

Hoje em dia, as pessoas cooperam com o enfraquecimento quando preferem estar em negação, enfiar a cabeça na areia e recusar-se a procurar a verdade, rejeitando soberania pessoal. Isto traz a sensação de isenção de responsabilidade, como se esta fosse algo pesado, por gerar questionamentos e reavaliações que extravasam a zona de conforto.

Neste tipo de cultura, alguém com espírito criativo ou crítico é expulso e aquele que é conformista ou formal é promovido. Quem manifesta poder é visto como estranho e quem demonstra vulnerabilidade é normalizado.

Num mundo saudável, de aspiração elevada, o poder é uma manifestação útil, um teste à pureza ou integridade de valores, à clareza de ideias e qualidade das ressonâncias, trazendo-nos rumo, capacidade de orientação.

Se o poder é encarado como uma ferramenta ou objecto, há uma tendência a ser utilizado para controlar. Neste registo, vamos assistindo à concentração de uma grande porção desta vibração nas mãos de apenas algumas pessoas. Se é visto como exterior ao Ser, o poder permanece alvo de sofreguidão perante uma carência, um vazio. O que leva a manipulação, ambição de domínio sobre outros como forma de o sugar ou exercer na sua pior versão. Quando se acredita que a força está fora, esta fica à disposição de quem quiser aproveitar-se. Mesmo os que se proclamam como homens de poder, permanecem na confusão porque querem acumular força através de sobreposição energética perante outros, em vez de acumularem por ressonância, no interior. Se um tirano aplicasse esta sabedoria e activasse o seu manipura chakra equilibradamente, empoderando-se de forma elevada, ficaria saciado e sem necessidade de matar uma fome através das provas que encontra nos actos de tirania. O poder imperialista resulta de uma confusão acerca da verdadeira fonte, a suprema.

Na verdade, todos temos um poder que não pode ser usurpado. O problema é que separamo-nos dele, colocando-o fora e permitindo que alguns se promovam como distribuidores, administradores ou fontes de uma força que nós é que cedemos. Quanto mais falta houver de poder interior, mais mecânicos ou automáticos nos tornamos. O despertar da força manipura torna-nos autónomos, pensadores livres e independentes, integrados. Tanto somos capazes de escutar abertamente como de questionar com espírito crítico. Tomamos decisões alinhadas com desejos profundos e não porque acatamos decisões de outros.

O sequestro mental é o formato actual da escravatura. No campo dos abusos de poder, este veio substituir as chamadas ditaduras pelo que temos agora e que também não é novo – o totalitarismo. Por ser mais refinado e dissimulado, é socialmente aceite. Eis uma estratégia que consegue abranger uma escala populacional muito maior.

A activação do centro manipura reduz o potencial para ser escravo mas é necessário que ocorra de modo integrado, caso contrário, pode resvalar num jogo de egos. Em equilíbrio, traz imunidade à manipulação e a expressão de opinião substitui a limitação imposta pelo próprio ou pelos outros. A obediência deixa de ser possível. Sem esta autonomia somos raptados pelos próprios padrões ou programas mentais, instrumentalizados pelos abusadores.

Ao nível do terceiro chakra podemos nutrir a coragem e determinação para a auto-descoberta e resgate do poder interior. Só quem não o despertou, sente necessidade de afirmar-se em acções que cubram o vazio. Quando estas actividades abrandam, nota que não conseguiu preenchê-lo. A procura de auto-afirmação vem da necessidade de compensar a falta de emancipação, determinação ou personalidade.

Quem encontra poder internamente, torna-se mais relaxado e generoso, manifestando essa força no serviço que presta. Quem não apreendeu esta relação, preocupa-se só consigo, não tem poder para fazer algo pelos outros.

Ao nível de manipura chakra, surge a capacidade de estabelecer ligações, combinações que formam novos elementos. O poder interior nasce desta síntese. Não da luta ou do ego. A conexão de informação permite o discernimento, a compreensão e tomada de decisões. Depois da atribuição de intenção, é possível elaborar um plano de acções, que também exige conexões e uma inteligência simplificadora e prática, característica deste nível.

Um manipura enfraquecido tende para sentimentos de inferioridade que se manifestam frequentemente no oposto – arrogância, máscara ou ilusão de superioridade, falta de consideração. Aquele que tenta rebaixar os outros é o mais afectado pelo seu complexo de pequenez, que o consome e é escondido. Quando este nódulo paralisa uma frequência de energia tão importante e característica do terceiro centro – a força da vontade – tornando o ser incapaz de agir, torna-se uma brecha que facilita manipulá-lo. Assim, as massas são cozinhadas na crença de não serem merecedoras (culpa) e na ausência de esperança (medo) sobre um caminho melhor e construído. Curar o colectivo, implica desapegar da postura de vítima e da desmoralização, acolhendo com naturalidade as circunstâncias desafiantes. Trabalhar a vontade requer disciplina diária e conhecimento sobre como praticar e ampliar o ímpeto de actuar.

Anahata - 4º chakra

Associado ao elemento ar, este centro vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como: movimento da consciência em todas as direcções; expansão integradora; abertura às diferenças; harmonização do que está acima e abaixo – meio caminho entre céu e terra, entre matéria e espiritualidade – surge o humanismo; união, comunhão; cooperação; afectos, sentimentos, emoções superiores; amor; irmandade, amizade; pureza; paz; leveza; desapego do material e do ego; humildade; início da auto-consciência, do sentimento de Ser; semente da verdadeira personalidade – do Eu em estado Uno; altruísmo; generosidade; empatia; compaixão; sensibilidade; proximidade; desejo de nos descobrirmos através do reflexo no outro – espelhamento – amor orientado ao exterior e ao interior; adaptação; renovação; cura; perdão.

Em muitos contextos sociais, laborais, onde a formalidade sobressai, há pouco espaço para a manifestação de vibrações mais amorosas. Muitos têm medo de expressá-las, considerando que ficam expostos ou desprotegidos. Apesar disso, o amor é um tema transversal, ele está presente na generalidade da população e torna-se determinante ou influente em muitas decisões e estados internos – humor, ansiedade, motivação, clareza mental, criatividade, etc. Não é casual que este seja uma inspiração ou objecto recorrente em criações artísticas.

De que forma anahata pode impactar a sociedade?

Ao nível deste vórtice, predomina o Ser em relação ao Ter. O segundo é mais característico de Muladhara (1º centro) e propenso a gerar agressão e ganância, conduzindo colapsos, disputas, crises económico-sociais. O modo ‘Ser’ enraíza no amor, floresce em partilha vivencial e criação. Só ele nos salva das situações anteriores.

O desconhecimento ou inconsciência sobre os níveis subtis da existência, aqueles que transcendem a matéria, abre espaço a padrões de comportamento primários, que respondam às necessidades referidas mais para trás – de protecção, aceitação do grupo, destaque ou sobreposição. Estas tornam-se as grades de uma prisão interna. À luz do quarto chakra, os outros já não são uma ameaça ou objectos que temos (muladhara); não são apenas fontes de prazer ou alvos de aglutinação (swadhisthana); nem são concorrentes num jogo de poder (manipura).

Em amor, os outros são vistos como seres humanos, com necessidades, entendimentos e direito à autenticidade. Isto baixa a barreira defensiva do ego sem criar os desequilíbrios que levam à vulnerabilidade ou falta de espinha dorsal. “O amor é a união com alguém ou algo, fora de si, sob a condição de reter a separação e integridade de si mesmo.” – Erich Fromm

O mesmo autor afirmou: “O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens possam tornar-se robots… O amor é a única resposta sã e satisfatória para o problema da existência humana.” Ao abandonarmos mecanismos de defesa típicos de estágios anteriores, intimidade e espontaneidade tornam-se nascentes em solo seco. Nomeadamente, perante a distinção separadora gerada pelo ego de um manipura não transcendido. Em que a ansiedade gerada na disputa ou diferenciação, bloqueia o recurso ao coração ou genuíno tesouro do poder humano, acabando frequentemente em vergonha e culpa na escuridão do vazio.

Por outro lado, se anahata estiver descompensado, com despertares instáveis e desintegrados, algumas prisões podem surgir a este nível também. Como é o caso da atitude de consumismo sentimental, que vem com apego torturador ou dependências. Trata-se da diferença entre viver esfomeado à espera – não mais se vai querer largar – e estar alimentado porque se vive em amor, comendo de todas as árvores que comunicam com a raiz que está dentro de si.

Se a expectativa inicial nas relações interpessoais vier na sequência da carência, ganha uma dimensão e um frenesim que esgotam. Muitos acreditam que o amor é fruto do objecto e não uma faculdade em si ou uma força da alma, uma ressonância preexistente em cada um. Que pode, simplesmente, estar desactivada por uma questão de bloqueios que precisem ser dissipados. Quem ame verdadeiramente, ama não apenas um mas todos, o mundo, a vida, a si mesmo. Porque o sentimento não nasce em função de um alvo.

Enquanto uma grande porção da sociedade estiver mais no instinto, que corresponde aos primeiros três centros energéticos (chakras), estará mais sujeita ao desrespeito pela existência individual, beneficiando interesses massificadores que a sacrificam e drenam. A modernidade tem aberto muito espaço a esse fenómeno.

Quem se autonomiza, empodera e consegue produzir, querendo apenas os frutos do seu trabalho. Libertando-se do narcisismo controlador de tudo saber e poder, adquire humildade germinada da força interior, que apenas a actividade genuinamente produtiva pode dar. Quem se impõe para ganhar algo ou servir-se de outros, fá-lo por parasitismo porque não brota o suficiente de si mesmo. As energias características do 4º chakra plantam as relações mais importantes, as que assentam no amor fraterno e transcendem o interesse.

Estas ligações estabelecem-se no olhar que vai além da superfície, de onde apenas emergem as diferenças. Se adentrarmos até ao núcleo, mesmo o de quem nunca havíamos visto, a identidade humana comum sobressai. A irmandade universal é um caminho evolutivo que permite a expressão dos indivíduos nas suas capacidades naturais, orgânicas, vindas da essência.

As frequências vibratórias do quarto chakra podem, também, ser instrumentalizadas para gerar desequilíbrios ou manipulação social, mexendo com a liberdade individual. A qual já é naturalmente desafiada dentro da comunidade, mesmo quando os outros são sentidos como bons e necessários. Ora perante a intenção de que um dado sistema funcione, geram-se imposições e o fomento de atitudes de conformidade. Esta tornou-se uma postura típica na população dita civilizada, perante um colectivo que tenta que a sociedade seja operacional sem aceder a outro mecanismo de agregação.

Se a conformidade é um padrão governado pelas energias do segundo chakra, torna-se a solução que os grupos proclamam para um bem maior, mesmo que implique prejudicar os indivíduos. Vale tudo, perante o desejo de pertencer ou corresponder a ideias alheias. Mecanizados ou robotizados, estes deixam de pensar ou agir livremente, na ilusão de uma vida melhor para todos.

Existe, porém, outra solução e esta está no coração do ser humano – a zona física alinhada com o quarto chakra. Erich Fromm, psicanalista/filósofo/sociólogo, explicou que os sistemas ditatoriais usam ameaças e terror para induzir conformidade, enquanto os países alegadamente democráticos vão mais pela via da sugestão, recomendação ou propaganda, quando não pela coacção. Claramente, estes segundos revelam um grau extremamente elevado de conformidade. Trata-se de uma resposta à busca de união, na falta de visão de outra melhor. A união de rebanho traz a conformação como predominância. É possível perceber-se o medo de ser diferente, de estar a alguma distância do rebanho, se se percebe a profunda necessidade de não estar separado.

A maior parte das pessoas não está consciente destas necessidades de resignação ou concordância. Vivem a pensar que seguem as próprias ideias, que chegaram às sua próprias conclusões com base num pensamento autónomo e que é apenas por acaso que essas opiniões são as mesmas que os media privilegiados alastram. O aparente consenso de todos serve de validação das suas ideias. Ainda assim há uma vontade de ter individualidade e por isso alimentam-se diferenças menores: a frase de uma camisola, o apoio a um partido ou clube ou a uma causa que é vendida como rebelde mas não deixa de ser uma falsa bandeira promovida. A diferença ou a adesão a alegadas minorias que são acarinhadas pela comunicação social, é uma publicidade enganosa como outra qualquer, quando na verdade não resta grande diversidade ou espaço para divergir. Serve apenas para as pessoas acharem que ainda seguem rumos independentes.

A união para a conformidade não é intensa nem violenta, é suave e conduzida nas rotinas. Muitas vezes, ansiedades de separação são compensadas com alcoolismo ou outros consumos, sexualidade compulsiva, suicídios. Isto porque a conformidade de rebanho não é a melhor resposta para o verdadeiro sentimento de união. O desejo por ligação interpessoal é uma força poderosa na humanidade, é uma paixão fundamental que nos mantém juntos. Falhar, significa auto-destruição. Sem amor a espécie humana não sobrevive.

O poder do Amor é a alternativa à ligação pela conformidade e o que estabelece verdadeira relação com o outro. A comunhão entre seres estabelece-se sem a necessidade de nivelar personalidades por uma mesma linha. Na complexa matriz de desafios sociais, o Amor maduro é uma chave que se manifesta numa união em que a integridade e individualidade são preservadas. Esta vibração activa uma vivacidade em quem dá e em quem recebe.

Cuidado e preocupação fazem parte do espectro do amor. Por sua vez, uma noção desviada acerca do que é responsabilidade, é muitas vezes usada para tornar esta qualidade num dever pesado, numa imposição extrínseca, que muitos acabam por querer sacudir e depositar algures fora de si. Enquanto a verdadeira responsabilidade é a capacidade voluntária intrínseca e autonomizante de responder, por parte de quem é amoroso.

Como já foi dito, estas qualidades podem, também, deteriorar-se em domínio e possessividade, se não estiver presente um importante componente do Amor: o respeito – pelo crescimento de alguém como é, para o seu próprio bem, como Ser com uma individualidade. No respeito não há aproveitamento, abuso ou exploração para benefício de outros, para servir interesses de terceiros. Respeito requer uma auto-suficiência, uma independência que permite ser desnecessário explorar alguém. Este é parceiro da liberdade e não da dominação. Respeitar, cuidar, implicam conhecimento sobre o outro. Um conhecimento que é inerte se vem vazio de afectos ou preocupação, se não contém a noção do outro. Portanto, no amor maduro vem o cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.

Vishuddha - 5º chakra

Associado ao elemento éter, este vórtice vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como: união dos quatro elementos ou vibrações anteriores e respectiva refinação, purificação; percepção e entendimento da dimensão vibracional; anulação das obscuridades, impurezas, perante manifestação das energias puras e refinadas superiores; nível existencial, de comunhão com a existência em si; elevação; transmutação do que está em desequilíbrio; sínteses integrativas transferíveis para outras vidas; acesso à memória akasha – registos universais e ancestrais; discernimento vibracional e sensorial, clareza; comunicação pela linguagem requintada da palavra e dos símbolos; recurso a metáforas e outras figuras de estilo; possibilidade de simplificar e tornar conciso; conexão com arquétipos – padrões energéticos fundamentais ou esboços da materialização; domínio de conceitos abstractos; arte primorosa, transcendente, especialmente música; audição dos sons ocultos (vibrações); ideias sublimes; criatividade refinada, profunda; inspiração; intuição; ressonâncias superiores, nomeadamente a partir de estímulos sonoros, visuais e gestuais; transcendência das experiências da individualidade, percepção de ser parte de um Todo muito maior; domínio da energia do espaço, que extravasa os critérios sensoriais anteriores; extracção de leis e princípios Universais ou macrocósmicos a partir de dados parciais; visão de uma ordem superior que vai além da tela mundana dos acontecimentos quotidianos; entendimento sobre propósitos superiores e significado da vida; percepção do tempo como energia em que passado, presente e futuro deixam de existir; compreensão da natureza da matéria e da anti-matéria; nutrição subtil, metafísica; alinhamento com os ritmos do cosmos, entrega num respeito pelos fluxos e percepção das sincronicidades; revelação através do silêncio – da consciência divina que reside no próprio Ser, do lugar interno para lá do ruído mental; confiança interior, empoderamento associado à consciência das ligações subtis; discriminação mais elevada, comunicação telepática.

De que forma vishuddha pode impactar a sociedade?

– Arte –

A energia deste 5º centro está relacionada com a arte, uma expressão criativa que gera ressonâncias. As quais podem ser mais benéficas e harmoniosas ou menos. No âmbito vishuddha, a verdadeira arte ou a designada como objectiva, é exclusivamente a que transporta frequências vibratórias elevadas e nos religa ou ancora ao elementar original, ao primordial – o campo dos arquétipos. Esta arte é sempre positivamente nutritiva, evolutiva, inspiradora, trazendo um carácter divino transformativo. Ela é chamada de objectiva porque consegue transmitir mensagens profundas ou refinadas de forma directa e simples, sem a necessidade de grandes explicações, pois brota de uma canalização ou conexão do artista com planos superiores. A simbologia utilizada é universal e representa leis eternas estruturais.

Já a arte designada subjectiva, é transitória e sujeita a modas. Ela relaciona-se mais com estados internos do autor do que com fenómenos transcendentes do campo subtil ou cósmico. Dessa forma, está sujeita ao ruído da mente inferior e à densidade de emoções não integradas. Nem sempre as ressonâncias codificadas do artista chegam à compreensão do outro sem explicação. Um contexto é criado para influenciar e preparar o olhar até que fique receptivo, aconteça de um dado ângulo, sendo impregnado pela perspectiva de quem emite. A existência de críticos de arte e moda revela que quanto mais a arte for subjectiva, mais precisa de instrução para ser recebida.

Este processo tem sido estrategicamente explorado pelas agendas governativas para moldar as massas, através da programação preditiva. Uma ferramenta subtil de condicionamento psicológico, utilizada nos meios de comunicação, em filmes, livros, séries, eventos, entretenimento, para habituar o público a ideias ou cenários futuros. Estes são transmitidos previamente como ficção mas correspondem a mudanças sociais planeadas. Deste modo, procura-se diminuir a resistência do cérebro aquando da sua implementação, perante um estímulo que não é mais novidade. A cultura tem sido, afinal de contas, um dos principais recursos de propaganda e formatação pública. A arte tornou-se uma chave para o totalitarismo, oferecendo a ilusão da irreverência.

Por sua vez, arte experimental autêntica pode ser uma ferramenta de auto-descoberta, um mergulho interno terapêutico que permite a libertação e processamento de desequilíbrios. Nestes casos, a manifestação não precisa ser exposta ou criar impacto noutros. Já a arte objectiva, ao ser vivenciada ou contemplada, pode levar a catarses – limpezas ou purgas – e expansão para outros níveis de consciência.

– Pureza –

As ressonâncias densas reflectem impurezas que podem estar depositadas no nível físico, bio-energético, emocional, mental. Estas levam a estados debilitados, maus hábitos, sofrimento, doenças. O pessimismo, por exemplo, é gerado por frequências baixas e pode ser transmutado por purificação mental. A activação do 5º chakra tende a purificar e a manter estados de pureza, levando ao contacto intuitivo com o essencial e aproximando-nos da Consciência Suprema. Os quatro níveis referidos neste parágrafo, que incluem o psíquico, são mais facilmente harmonizados, limpos, se dinamizamos vishuddha.

O acesso aos mundos superiores é favorecido quando nos aproximamos do estado de pureza característico das crianças, as quais têm uma conexão facilitada com os mesmos. O cepticismo, o peso de dúvidas, preconceito e pessimismo, são contaminações que dificultam a ligação. A partir daqui, talvez possamos questionar os motivos pelos quais as notícias e as narrativas mediatizadas trazem, de modo geral, uma carga pesada ou negativa. Quanto mais impurezas, maior a distância do nosso centro ou sabedoria intrínseca. A alegria consciente e o bem-estar aproximam-nos da clareza.

Em vishuddha, o desejo de pureza, o alinhamento com a verdade interna, manifesta-se como uma necessidade profunda. As relações com os outros chegam à essência e ao desapego harmonioso. Torna-se possível integrar aparentes contrastes ou dualidades, as linhas direitas e tortas da vida, através da capacidade aumentada para sublimar e estar mais imune ao que é tóxico. Um psicopata procura alimento no ambiente mas insaciavelmente, numa atitude de consumo, porque orienta a energia no sentido descendente, que é o contrário ao da sublimação (elevação).

– Intuição –

Esta é uma consciência imediata do que é verdadeiro e surge como uma voz interior, independente de experiências anteriores ou raciocínios inconscientes. Ao contrário do que afirma a corrente materialista que acompanha a psicologia convencional, o derradeiro conhecimento trazido na intuição está para além do que é adquirido através da mente. Sem prejuízo, o desenvolvimento de um encadeamento lógico ou racional para demonstrar a validade intuitiva, pode surgir depois. É bom salientar que esta qualidade difere das reacções instintivas, que são transcendidas, dando lugar a percepções directas, conexões nos planos superiores. Os condicionamentos ou automatismos são dissipados e a liberdade de responder da melhor forma surge como uma escolha, não como reacção. Quando o ser humano atinge este patamar, torna-se soberano, mestre de si mesmo, em ressonância com a consciência cósmica. Esta sabedoria ou conhecimento puros são autónomos, livres de influências mundanas. Mais facilmente ocorre a canalização de soluções positivas, caminhos auspiciosos, pensamento expansivo/divergente, sem racionalização ruidosa, desviante e redutora. Situações difíceis podem mais facilmente ser resolvidas.

Tal como um músculo, a intuição responde ao treino, desenvolvendo-se, nomeadamente, com exercícios que agilizam o processo. Assim como atrofia quando não a usamos ou dessintoniza quando frequentemente não a escutamos, contrariando a informação que vem.

– Elevação –

Entretenimento e tentações deixam de ser problema porque a intuição ou a razão harmonizadora transmutam o que vem de baixo em ideais mais elevados. A pessoa passa a aspirar o que tenha carácter eterno, a verdade além das linhas temporais e culturais. Como foi dito anteriormente, um psicopata faz o processo ao contrário, densificando.

– Transfiguração e ausência de julgamento vinculado –

A primeira é a capacidade de perceber a realidade além das formas, vendo a natureza verdadeira das coisas/situações/pessoas, o seu potencial por inteiro. Isto implica ver além das aparências, da percepção superficial e do que está manifestado ou concretizado.

Transfigurar significa ensinar os olhos da alma a procurarem além do véu e a verem a essência, o brilho profundo, as qualidades que a própria pessoa ainda não usou ou reconheceu em si. Este conceito difere de ‘fantasia’, a qual viaja e perde-se sobre o irreal. A transfiguração é uma abertura selectiva através da qual recebemos internamente tudo o que é bom e belo do outro, permanecendo intocáveis por qualquer aspecto negativo e inferior.

Podemos e devemos dirigir esta atitude ou prática a nós mesmos, também. Des-cobrimos a manifestação da essência divina que reside em cada um, indo além das limitações impostas pela personalidade. Abraçamos com a nossa consciência todos os aspectos positivos, estejam manifestados ou não. Essa predisposição eleva o amor, a conexão com o Absoluto, a integração no Todo, quando nos transfiguramos e vemos nessa expansão. Assim como fertiliza o campo vibracional, aumentando a probabilidade de que aquilo que está latente se materialize ou venha ao de cima.

Transfiguração e Intuição estão interligadas, potenciando-se uma à outra.

Ajna - 6º chakra

Associado à Mente Superior, que coordena os outros cinco centros, este vórtice vibra em frequências que se manifestam sob a forma de qualidades como: comando interno; inteligência superior; visão interior; concentração mental excepcional; foco e objectividade; auto-consciência; introspecção; coordenação das energias mentais; sintonização voluntária do foco e das ressonâncias – selecção das frequências que se recebe e emite; controlo da mente e da atenção; silenciamento do ruído da mente inferior; memória amplificada; genialidade; visualização interna; poderes transcendentes podem surgir pela supremacia mental – poder da mente sobre a matéria; mundos paralelos tornam-se tão evidentes quanto o físico; conexão com o Princípio Consciente Divino – a estrutura mental universal, o plano das ideias superiores, supremas; compreensão e transcendência de obstáculos; observação desapegada acima da percepção directa; cabeça fria/clareza; discernimento mental/espiritual; lucidez-análise-síntese-conclusão criativa; ligação entre elementos aparentemente distintos; percepção-arrumação-ligação-entendimento das emoções e estados; coerência entre o que sentimos e decidimos; capacidade visionária, pela percepção do potencial futuro; uso de abstracções; auto-confiança profunda (diferente da Manipura/3º chakra).

A este nível, desenvolvemos a mente impessoal, que sabe discriminar entre pensamentos motivados por crenças e medos e os transportados pela sabedoria natural e inata. Ao elevar-se, esta visão alcança um mundo superior de conceitos, a visão geral, os detalhes da perspectiva das leis universais. No desapego da realidade concreta imediata, podem surgir estados superiores de grande complexidade ou a descoberta da simplicidade perante labirintos. Quando a mente inferior é silenciada, surge a paz profunda e a libertação da necessidade de individuação, bem como das impressões individuais limitantes. O canal para revelações e inspirações acima do espaço redutor da individualidade é aberto.

O campo consciente expande gradualmente para o subconsciente ou inconsciente, acedendo a outras funções da mente, soluções, causas, remoção de bloqueios. Curas físicas podem acontecer a partir daqui. Torna-se possível controlar fenómenos materiais através do comando das energias mentais. Porém, quem tiver muitas impurezas e pouca estrutura para lidar com o material subconsciente, pode perder-se num caos energético. Um despertar para experiências de vidas passadas surge a este nível, com a possibilidade de desconstrução e ressignificação, ou seja, apagando condicionamentos.

Um Ajna activado permite a percepção objectiva do presente, como projecção do passado e semente do futuro. Deixamos de estar presos, perdidos, preocupados ou receosos com o que passou e o que ainda não ocorreu. A mente dá ordem, estrutura à energia criadora, para que esta não se torne caos. O discernimento mental permite perceber se uma direcção é integrada ou não e tomar decisões ajustadas. O sucesso torna-se frequente, numa pessoa que vive em harmonia superior. Desejos e necessidades físicas são ultrapassados ou dominados e é possível ver benefícios onde outros veem motivos para falhar.

O auto-controlo ou auto-regulação vai desde o físico às energias em qualquer nível. Alguém que despertou eficientemente o centro de comando mental, mais facilmente controla o que acontece ao redor, a um determinado grau, por vezes sendo capaz de mudar o curso de acontecimentos. O jogo energético deixa de ser um mistério ou um acaso. Sincronicidades, discernimento, comunicação telepática, tornam-se evidentes e objectivos para quem chegou a este ponto. As superstições e especulações estéreis são removidas por um pensar profundo intuitivo.

De que forma as qualidades de Ajna podem impactar a sociedade?

Uma substituição da realidade sensorial pode trazer realizações espirituais se for bem integrada, como pode gerar alienação se alguns aspectos de Ajna não tiverem sido despertos. Na sociedade actual, verificam-se tendências para o uso excessivo de uma parte das energias Ajna, a qual é limitada e pobre. Daqui surge o escape, uma fuga para o mundo de fantasia e diálogo interno interminável, o que acaba por absorver energia que deixa de ser usada evolutivamente.

A mente tem duas faces e pode tornar-se nociva quando descontrolada. Isto acontece se houver uma combinação entre a sua complexidade e a ignorância ou falta de consciência. Se não conhecemos a estrutura, usamos apenas parte da ferramenta. Muitas pessoas pensam que a mente é uma dinâmica sequencial que emite raciocínios lógicos e tem uma memória que armazena dados, relacionando-se com a personalidade. Porém, esta visão é redutora e apenas considera a parte designada por Mente Inferior, a qual está ligada às percepções dos sentidos. Ao gerar ressonâncias em nós, aparenta ser a fonte que controla os nossos estados e podemos iludir-nos quando consideramos que um foco no raciocínio permite controlá-la.

Esta mente inferior torna possível a comunicação entre a superior e os sentidos, estando envolvida em movimento e eventuais turbilhões que podem distorcê-la. Muitos novelos não chegaram ainda à camada consciente. A civilização moderna dá uma importância exagerada à lógica e conduz ao uso predominante da mente inferior discursiva. A afectividade é frequentemente desligada ao ser considerada um estímulo perturbador. Nesta conjuntura, encontramos muitas pessoas dotadas de grande capacidade de raciocínio que não se sentem realizadas, felizes, porque não encontraram a saída para o labirinto mental. Quando as energias mentais predominam sobre os afectos, dão lugar a frieza, clivagens, distância. O auto centramento extremo pode ocorrer se há dificuldade de integração no mundo real e isolamento numa bolha de ideias próprias.

O que a mente inferior faz é produzir uma cópia da realidade e adicionar informação ao que vemos, como se precisássemos de um comentador. A racionalidade descreve tudo o que captamos pelos sentidos e experiências internas, adicionando correlações. A certa altura, estas associações sobrepõem-se à experiência directa da existência, por lhes ser dada maior importância. Quem não despertou Ajna chakra, acredita que tudo o que pensa é real, sem verificar o que o rodeia. As percepções merecem menos confiança do que os encadeamentos lógicos. Isto leva à produção de imensos erros inconscientes e a uma matriz de ilusões. Surge também a fantasia de ser possível controlar o exterior e o interior através da virtualidade mental.

Um presente com este tipo de prioridades, abre espaço à Realidade Virtual, à Inteligência Artificial. Muitos preferem comunicar por mensagens do que presencialmente. Ou ver uma paisagem na televisão, em vez de sair para a vivenciar. A aceitação destas construções mentais ocorre quando se sente que há uma separação do próprio em relação ao Todo, uma não pertença e um medo perante uma realidade sentida como esmagadora, se imprevisível. Nasce um faz-de-conta sobre o controle pessoal e este, em vez de tornar-se um empoderamento espiritualmente integrado e desapegado de planos rígidos apontados para o exterior, torna-se uma falácia superficial e um muro para o olhar interno. A realidade virtual parece um lugar seguro fácil de manobrar. Entre o ignorar e o imaginar, que ‘fazem’ desaparecer e aparecer coisas, cria-se uma prisão de simulações aceites em troca da Liberdade profunda. O ruído da mente inferior ganha o comando, o ego emparelha-se e juntos governam sobre um mundo animado onde são projectadas imagens. Pessoas com cabeças passam a ser cabeças com – ou sem – pessoas. A espontaneidade dá lugar ao automatismo robótico, sendo removida por ser considerada ameaça. A mente inferior fica perturbada perante mudanças súbitas no cenário virtual. Indivíduos buscam vidas altamente previsíveis e sincronizadas com relógios, bloqueando a Mente Superior intuitiva. Intuições que quebrem a estrutura montada são ignoradas.

A mente inferior é útil no nosso dia-a-dia, para diferentes funções ou tarefas que não iremos aprofundar, desde que não ganhe predominância. Se isso acontece, caímos na alienação. A partir daí, qualquer narrativa intermediada é uma potencial ferramenta de manipulação de massas. Aquele a quem falte o discernimento Ajna, age como se não soubesse, mesmo quando sabe ou quando concordou anteriormente com um princípio que não é coerente com o comportamento actual. Torna-se volátil, inconsistente, incoerente, perante dissonâncias cognitivas.

A mente é como um lago que espelha o que está acima, nos níveis superiores da consciência suprema. Se condicionamentos nos impedem de olhar para lá porque a imagem parece muito diferente da quotidiana, ou se há agitação mental, os vislumbres são curtos ou incoerentes. Torna-se necessário acalmar a mente para que ela funcione como um canal desbloqueado para o que é elevado.

A atenção aos sentidos, a amplificação consciente da sensibilidade, é útil ao exercício da mente superior. Isto quando a percepção integrada liga-nos directamente à realidade através dos sentidos, num silêncio que isola o frenesim. O que apenas acontece se nos focarmos plenamente nas experiências sensoriais sem deixar espaço para que pensamentos parasita se metam entre a percepção e o conhecimento do objecto. Caso contrário, o permanente diálogo inferior boicota-nos, tentando fazer a ponte. A intensificação das percepções e a estabilidade da atenção são dois trabalhos importantes para o caminho em direcção à Mente Superior.

Em relação aos poderes transcendentes, vulgarmente designados como paranormais, é necessário ter uma maturidade espiritual que permita abraçá-los sem se deixar condicionar pelas armadilhas do ego, já que estas habilidades podem tornar-se tentações.

– Amor e Mente –

A mente precisa de disciplina e o coração de liberdade. Porém, acontece frequentemente o contrário: o coração está preso e a mente corre desvairada. Práticas de concentração permitirão equilibrá-la, enquanto as dinâmicas expressivas mostrarão a anahata a possibilidade de expandir sem interferência racional discursiva. O coração fortalece-se com Amor, com o cultivo frequente do sentir e o silenciamento das hesitações. A prática da concentração também deve incluir este centro, ao sentirmos profundamente o que estamos a praticar. O que fazemos com o coração torna-se mais eficiente. A mente cala-se e obedece às nossas ordens. Quando integrada com a abertura do coração, torna-se Inteligência Emocional.

– Visualização –

Esta prática pode ser a fonte de realizações, ao produzirmos imagens internas para induzir ressonâncias. Essas imagens podem activar informação consciente ou subconsciente, soltando o potencial mental superior. Ao acedermos a tais registos, somos capazes de modificá-los. Visualizar significa ver mentalmente um objecto, acção ou indivíduo até atingir uma sensação forte de realidade associada à imagem, o que potencia a materialização do que é representado, mais tarde ou mais cedo. Conhecermos os nossos poderes latentes é benéfico para que possamos materializar este mundo através da cocriação. Bem como para assumirmos responsabilidades sobre a relação entre aquilo que trazemos dentro de nós e o que se manifesta externamente.

O poder da intenção ou da mente sobre a matéria, pode ser desdobrado em técnicas, recursos e aprofundamentos que não trazemos agora. Nesta página deixamos apenas um aperitivo sobre o assunto. O desenvolvimento, por ser extenso e profundo, pede outros espaços e uma prévia progressão prática integrada.

Vale adiantar que a investigação aponta no sentido de o coração ser o órgão com o campo electromagnético mais vigoroso, superando o do cérebro. Desta forma, abrir o primeiro, sentir intensa ou profundamente o que desenhamos na esfera mental, incrementa o potencial de manifestação.

Sahasrara - 7º chakra

Qualidades: Síntese final, conexão divina.

Este não é verdadeiramente considerado um chakra mas uma unificação dos anteriores, que constitui um portal de fusão Universal. Onde a busca por conhecimento e evolução começou e onde a realização do Eu Superior se conclui. Uma paz profunda é resgatada, envolvendo um auto-reconhecimento e a sensação de retorno a casa. A expansão da consciência tende para o infinito da eternidade e vai além do que a mente possa conceber ou de qualquer linguagem descritiva. A distinção entre o ser que experiencia e o objecto da experiência, quase desaparece.

Humanos com este grau de sabedoria é que deveriam ser inspirações de liderança. A coroa de um rei simboliza esta ordem, tal como Sahasrara representa o princípio dirigente da vida.

O ‘Eu Eterno’, Eu Superior, ou verdadeiro Eu revela-se quando tudo o resto é libertado, sai de cena. O que somos, o que fica, quando removemos os pensamentos, as flutuações emocionais, os apegos, as identificações, o estado físico? Se alguém está doente num momento e saudável noutro, deixa de Ser? E quando tem um pensamento e mais tarde muda de ideias ou tem outros pensamentos, é um Eu diferente? E se está triste e depois alegre, é duas pessoas? E se apagar memórias? Se removermos todas estas camadas, ainda assim, há algo permanente que fica. Esse é o verdadeiro Eu, o eterno, que transita nas encarnações. A nossa centelha profunda.

A resposta a estas questões torna-se clara no centro supremo Sahasrara. Onde se consegue isolar a força-consciência que liga os nossos diferentes modos ou graus de existência. A realidade fundamental do Ser, que existe além dos nossos estados e vivências mas que está, no dia-a-dia comum, coberta por actividades mentais e vitais. Este Ser é um centro cósmico, uma extensão ou parte do cosmos, que suporta os reflexos de diversas ressonâncias com este. As crianças estão mais ligadas ao centro, pois geralmente a carga de interferências é menor.

A este nível predominam vibrações de Alegria calma e profunda e de Amor. O espírito está para lá de tragédias porque tem poder e observa os resultados do mesmo. Numa leitura diferente da mundana, em que os sucessos têm outros critérios de medida.

O encontro com o Eu Superior ou espírito, deve ser sucedido por uma integração do mesmo na vida diária, numa complementaridade entre a vivência interna e externa. Em vez de rejeitarmos actividades mundanas, devemos abraçar a diversidade, numa atitude de transfiguração. É neste caminho que chegamos ao centro de forma consistente, sabendo descer das alturas sem alterações, quando aprendemos a relaxar perante circunstâncias variáveis, universalizando o mental a qualquer momento, ou seja, elevando. Desta forma, vamos limpando o subconsciente e purificando a poeira da matéria. Se nos fecharmos na rotina do asceta, seremos mais frágeis ou voláteis, num horizonte de perspectivas limitado.

Uma coisa é sermos luz, outra é sermos consciência madura, luz consolidada em sabedoria. Esta ganha-se no caminho de vivências em que vamos preenchendo a alma, integrando-a nos altos e baixos do quotidiano. Não teríamos cá vindo fazer nada se não fosse aprender. O espírito precisa contactar e apreender o oposto da virtude. Mais do que santos, podemos tornar-nos divinamente conscientes de tudo o que existe. É bom não rejeitar o sombrio, abraçando e transfigurando a multiplicidade, envolvendo todos os níveis do nosso ser, para que sejamos divinos integralmente e integradamente. Caso contrário, seremos uma luz volátil que só sabe luzir no paraíso das condições perfeitas. É necessário despoluir o físico, sublimar o ruído mental, aprender a alquimizar, a purificar o impuro. Ou então, seríamos luzes fechadas em redomas, sem imunidade ou capacidade de transformação.

Toda a natureza psíquica deve integrar-se em torno do novo centro, ancorando. Esta é a condição para que tal expansão ou evolução fique cristalizada, sendo transportada para outras existências ou vidas. Não há passos mais grandiosos que outros, há sim acções diferentemente consciencializadas, em que o Eu Superior esteve mais ou esteve menos envolvido. A essência de experiências que desafiaram profundamente o nosso Eu, sem que a superação se concluísse, também viaja, até que consigamos enfrentar e desembaraçar o emaranhado. O mecanismo de esquecimento ocorre para que o espírito tenha a possibilidade de evoluir sem interferências na liberdade de escolha. O que não é essencial é apagado, para não nos perdermos numa quantidade ruidosa de informação e não nos deixarmos influenciar pelo passado que não for útil. Existem espíritos mais maduros que outros, menos virgens que outros, mais antigos.

Quando activamos Sahasrara significativamente e de modo integrado, a intensidade das vivências vai muito além do ordinário. Além disso, experiências diversas e paradoxais ganham sentido, deixam de representar contradições, estando integradas e não se opondo. O oposto de uma verdade profunda pode ser outra verdade profunda. A lógica formal é superada, o nível mental é transcendido para um acesso completo ao supramental. A compreensão vai além da linguagem discursiva dos conceitos, enraizando no sentimento de pura existência, na sabedoria que é intransmissível teoricamente por meio de livros. O pensamento abre, deixando de usar ideias pré-concebidas. Assente no ‘aqui e agora’, este diverge/expande numa adaptação constante às revelações do Ser. A estrutura mental é banhada de felicidade que une e acalma, dando à mente a oportunidade de descansar na Fonte. Esta estrutura é reconhecida como uma ferramenta que quando não necessária, pode repousar, dando espaço à manifestação do espírito. Não mais impondo descontroladamente, comporta-se como um sistema para organizar experiências em vez de as baralhar. Os conteúdos deixam de ter uma consistência significativa, pois são fenómenos vibracionais. A regeneração da estrutura mental é facilitada, removendo falhas e cansaço.

Nada pode preencher-nos para além da realização de quem somos verdadeiramente – consciência universal. Agimos com a percepção de estarmos a beneficiar ou a servir algo maior e não os desejos, aos quais deixamos de estar subordinados. Ser rico não é ter muito, é precisar de “pouco”.

O conhecimento de nós mesmos era dificultado, inicialmente, por uma falsa personalidade com a qual nos identificávamos. A luz da consciência passava por filtros enganadores, que davam a sensação de sabermos quem somos. Tínhamos a impressão de que o sentimento de Ser era aquele apego a objectos, emoções, pensamentos, padrões de raciocínio, realizações ou falhas, memórias, expectativas. Quando passa a predominar um nível de vibração superior em nós, experienciamos a não-identificação. Não somos um corpo, emoções ou pensamentos. A necessidade de individuação pela diferença, ganha outros contornos. Não somos o médico, o professor, o jardineiro, o pai, o pedinte ou o patrão. Os papéis com os quais nos identificávamos, passam a ser vistos como limitados ou limitantes. Porém, para muitos dos que estão no início da consciencialização, este processo assusta.

Que impacto social pode surgir a este nível?

A consciência não expandida, correntemente limitada pela mente discursiva racional, possibilita uma percepção condicionada. Nessa camada, ao ressoarmos em dadas frequências, elaboramos conceitos e chamamos uma realidade que nos seja conveniente, confortável. A calma e a segurança de haver uma única realidade, torna-se o objectivo. Apesar de a percepção ser fruto de uma série de projecções, de um circuito fechado com erros a serem introduzidos recorrentemente no sistema. A partir destes, julgaremos outras percepções e assim por diante. Criamos uma estrutura de ilusões que se suportam entre si mas não têm uma fundação sólida.

Se conseguirmos extrair o ruído, o raciocínio viciado, com a activação de Sahasrara, descobrimos que a mente inferior é uma ratoeira para o conhecimento e começamos a ter percepções incomparáveis. Progressivamente conhecemos a nossa personalidade verdadeira, divinamente integrada e extensão do macrocosmos. É bom termos noção, porém, que inicialmente, o pensamento actua e cria a impressão de termos um estado de consciência expandido, de compreendermos que somos parte de um Todo, quando na verdade, apenas pensamos sobre isso. Podemos verificar isto se, ao pararmos o pensamento, o mundo desaparecer para nós, o que não significa que ele não existe mas que o nosso mundo objectivo é uma criação mental, que activa processos de ressonância oculta. Há uma memória colectiva repercutida em perspectivas individuais.

Quando realmente despertamos Sahasrara, aproximamos da realidade verdadeira, removendo efeitos de hipnose gerados na realidade convencional ou consensual, sobreposta.

No cansaço da rotina diária, frequentemente falta-nos o estado de admiração. Mesmo perante um Eu Superior que nos diz ser o único a percepcionar o mundo daquela forma, sejam quais forem as circunstâncias, não lhe damos espaço. Onde está o mundo, quando dormimos profundamente? Se adormecemos este desaparece? A memória colectiva conserva-o, os outros dizem-nos que este continuou lá. Não obstante, o observador lúcido, sabe que na ausência de pensamento e percepção, o mundo tal como conhecemos, esvai-se. Sabe, também, que o único que consegue experienciar a realidade é cada um de nós, apenas o Eu. Sem a percepção do ‘Eu sou’, tudo desaparece para nós.

Nos níveis mais baixos de consciência não acedemos ao mistério do ‘Eu sou’ porque o racional aprisiona-o num emaranhado de intercepções.

Nessas circunstâncias, a mais simples sensação só pode ser partilhada por uma representação verbal ou escrita. O que temos a impressão de transmitir é recriado no ser que recebe, que imprime a sensação de ‘Eu Sou’ e então começa a assimilar numa digestão própria. A comunicação fica sempre aquém da transmissão integral e tem algo de estéril. Só em estados de comunhão e empatia altamente conectados a processos sublimes de ressonância, é que nós verdadeiramente comunicamos. De certo modo, estamos sozinhos enquanto não despertamos o canal espiritual. Muitos compreendem isto quando morrem.

A realidade é uma totalidade sem divisões, mais do que uma soma. A experiência ‘Eu sou’ não sente separações mesmo quando associada a aspectos particulares ou parciais. Na percepção física de um espaço, o ‘aqui’ torna-se uma forma particular de uma unidade que é Aqui. Não funciona se a mente estiver a viajar por outros lugares. O Aqui e Agora são referências divididas por enganos enquanto o Ser não vivencia o Absoluto. A experiência banalizada do ‘Eu Sou’ tem-se tornado numa experiência do ego, degradando-se num cenário de confronto e alteração em que ligamos a essência do ‘Eu sou’ a deturpações do Aqui e Agora.

Antes da activação plena do 7º vórtice, temos a impressão de ver maldade e feiura, sofrimento, tristeza. Muitos perguntam onde está a divindade, num mundo assim. Quem, por sua vez, procura verdadeiramente soluções, expandindo, encontra clareza nos mistérios então revelados. A transformação renova antes de a mente trazer conclusões paralisantes. O estado de liberdade floresce em espontaneidade e desapego ou distanciamento saudável.

No caso de sahasrara, não há propriamente uma activação desarmoniosa mas uma insuficiente. Bloqueios podem levar a desconexão do espírito e consequências como doenças mentais, podem surgir. Esquizofrenia é um exemplo. Um bloqueio pode trazer um estado de contracção em relação a tudo o que é transcendente, quando a pessoa desencadeia reacções desconcertadas perante esse tipo de experiências. Verifica-se, também, ausência do sentido de sacralidade, de um sistema de valores autêntico ou mesmo a inversão dos mesmos. Questões do foro psíquico associadas a estes desequilíbrios, podem incluir os relativos a Ajna chakra (6º centro) e Anahata (4º centro).

Para que possamos activar plenamente o nível sahasrara, devemos libertar-nos de obsessões e estados de esforço em que a dor ou sofrimento germinem. O caminho deve ser leve e desapegado de resultados. Mesmo que nos preocupemos com as tarefas, não nos agarremos aos frutos das acções. Transcendendo a vontade egóica, dirigimos esses frutos a algo maior, mesmo quando menos óbvios ou directos. Não nos definimos com base nestes. Qualquer acção ou palavra importa por ser uma oportunidade de ressonância com o infinito. Nestas circunstâncias, retornos ou ecos externos perdem significado e ficamos mais imunes a danos. Em atenção intrínseca, a realidade divina brota de e em todos os lugares e estamos mais receptivos à dádiva.

Fonte Suprema = Eu = Todo.

Os níveis numa dinâmica integrada

– Corrente da manifestação > descendente.

Este encadeamento inicia na consciência pura e desce passando por cada chakra, tornando-se a vibração cada vez mais densa enquanto segue para baixo, no sentido da matéria. O processo permite que ideias ou projectos se materializem e começa por uma intenção (7º chakra). A seguir, uma ideia torna essa intenção concreta (6º chakra) e depois vêm outras ideias e conceitos que a objectivam cada vez mais (5º chakra). Sentimentos são colocados nessa ideia (4º chakra), vem a determinação de fazer e o envolvimento da vontade (3º chakra), a integração dos últimos detalhes e ligações com projectos similares (2º chakra) e finalmente a realização a nível físico (1º chakra).

Quando consciente, cada passo é uma manifestação criativa em que fazemos escolhas, limitando a liberdade a uma dada extensão, para podermos dar existência, gerar e alcançar situações, removendo o que não é bom para nós. Cada chakra é um condensador de energia cósmica, trazendo-a a esse nível humano.

Esta corrente traz paz, estado de graça, estabilidade, relaxamento, eficiência. Sem ela caímos na confusão, dispersão, ineficiência. Teremos visões interessantes mas sem concretização, coerência, objectividade.

– Corrente de libertação > ascendente / transcendente.

Este processo ajuda a passar além dos limites e progride para zonas de maior liberdade, onde estamos mais expandidos e incluímos mais aspectos da realidade. A energia liberta-se da matéria e torna-se mais refinada, move-se em direcção a zonas superiores, transformando-se num puro estado de existência sem limites. A matéria sólida perde parte da rigidez, torna-se líquida e depois fogo, pela dinamização, para expandir em ar e depois em vibrações puras que elevam a frequência até serem luz e ideias. A corrente da libertação é manifestada como aspiração para a perfeição, superação de condicionamentos ou conceitos, união com a nossa essência absoluta – o Eu Superior, o observador desapegado.

Este fluxo enraíza no que está “abaixo”, é nutrido por instintos, desejos e aspirações. Traz abertura, horizontes, alegria, novidade, energia. Sem ele não nos libertamos da ilusão, seremos objecto de desejos inferiores, esquemas mentais, ruído, necessidade de segurança, medo da aniquilação.

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